A brasileira que se disfarçou de homem para lutar na Guerra do Paraguai

Jovita Feitosa cortou os cabelos e usou chapéu na tentativa de se fingir de homem para combater contra o Paraguai, mas o disfarce foi revelado antes que ela pudesse chegar ao campo de batalha.

Por G1 CE
Jovita Feitosa foi impedida de lutar em guerra após descobrirem se tratar de uma mulher (Foto: Arquivo Nacional)

Atravessando o machismo que é próprio da História, a cearense Antônia Alves Feitosa, a Jovita Feitosa, deixou sua marca como mulher e personalidade histórica ao se voluntariar para a guerra do Paraguai, em 1865. À época, mulheres não eram aceitas como soldados pelo exército, e, para driblar a proibição, ela resolveu criar um disfarce, cortando o cabelo e usando chapéu.

O historiador Airton de Farias afirma que a figura de Jovita Feitosa prova a existência de outros lados de uma História normalmente concentrada em homens ou heróis, tanto no Brasil quanto no Ceará. “Isso chama atenção por si só. A trajetória dela foi muito interessante. Uma mulher que decidiu lutar na guerra numa época que não era possível, mostra o nacionalismo que marca o Brasil no século XIX.”
Detalhe do quadro Batalha do Avaí, óleo de Pedro Américo sobre um dos últimos episódios da guerra do Paraguai, ocorrido em 11 de dezembro de 1868 (Foto: Reprodução/Museu de Belas Artes)

Nome de uma importante avenida em Fortaleza, Jovita Feitosa nasceu na localidade de Brejo Seco, região dos Inhamuns, no Ceará, em 1848. Aos 12 anos, ficou órfã de mãe e foi morar com um tio, no Piauí. Fugiu aos 17 anos para Teresina, com o propósito de ir à guerra do Paraguai. “A guerra mobilizou o sentimento do povo brasileiro contra o inimigo, no caso, o paraguaio. Mostra o nacionalismo da época, a ponto de uma mulher se engajar, se dedicar, cortar os cabelos… o governo acabou usando ela como propaganda”, conta Airton.

Disfarce revelado

O disfarce de Jovita foi descoberto antes mesmo que ela fosse à batalha. No entanto, representando um incentivo à luta, ela ainda seguiu com um dos batalhões para o Rio de Janeiro.

Para o historiador, Jovita virou sinônimo de amor pelo país e ganhou destaque na imprensa, como uma espécie de estímulo a quem ainda não tinha despertado interesse pela luta, diante de um exército reduzido a 18 mil homens e reforçado por voluntários. Mas em novembro de 1865, o ministro da guerra expediu ofício impedindo que ela fosse à guerra.

Airton de Farias explica que a maior parte do autores sustenta a versão de que Jovita Feitosa não esteve no confronto. Ainda assim, a cearense, com traços de índia e estatura mediana, virou um dos símbolos da guerra do Paraguai. “É uma figura que permite várias leituras do Brasil e do Ceará no século XIX. Da história feminina, do nacionalismo imperial, o uso da propaganda, e também a questão social, da relação machista da história.”

No livro História da Sociedade Cearense, Airton de Farias narra que, ainda jovem, Jovita Feitosa se envolveu com um inglês e passou a viver com ele, até que o homem foi embora para o país de origem sem comunicá-la. Aos 19 anos, sofrendo de depressão, Jovita Feitosa se mata com “uma punhalada no coração”, em 1867.
Atualmente, Jovita Feitosa dá nome a uma avenida de Fortaleza (Foto: André Teixeira/G1)
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Sobre Manoel Martins

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