Segundo o governador, o Palácio do Planalto
não está escutando seus apelos e de seus representantes sobre grave
quadro no Estado. Camilo cobra ainda a rápida conclusão das obras de
transposição do Rio Francisco
FÁBIO LIMA
Seca fez vários açudes no Ceará secarem. Estiagem em 2016 é uma das piores da história, segundo Funceme
O governador Camilo Santana
(PT) responsabilizou o governo federal pela demora das obras de
transposição do Rio São Francisco, uma das principais esperanças do
Ceará para o combate do colapso hídrico. As declarações foram dadas
durante entrevista coletiva no Palácio da Abolição, na tarde de ontem.
“A
obra que vai nos dar segurança e garantir (o abastecimento) caso não
chova aqui no Ceará. De onde é que a gente vai trazer água?”,
questionou. O chefe do executivo estadual teme colapso hídrico que
afetaria 4 milhões de pessoas na Região Metropolitana de Fortaleza
(RMF).
“O responsável será o Governo Federal que não está
escutando o governador e seus representantes, não está escutando a
urgência dessa obra ser concluída”, disse Camilo.
Segundo
ele, o governo do Estado já gastou R$ 70 milhões em ações para evitar
desabastecimento na RMF. “O esforço que o Ceará tem feito sem receber
um centavo do governo federal (...). Só adutora para usar água do
Maranguapinho foram quase R$ 2 milhões. Estou fazendo 42 poços para
evitar que a gente use a água do Castanhão”, citou. ‘’Já pedi audiência
com o presidente Michel Temer novamente, já oficializei esse momento
crítico do Ceará”, frisa.
A Fundação Cearense de
Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) informou que, de 2012 para
cá, a estiagem deste ano é a segunda pior. Em algumas regiões não
choveu nem metade do esperado. O cenário faz de 2016 um dos dez anos
mais secos da história.
Críticas a Eunício
Mais cedo, em entrevista à rádio O POVO/CBN, o governador foi questionado sobre ações do senador Eunício Oliveira (PMDB), que concorreu ao Governo com ele em 2014, de combate a seca, e ironizou: “É importante a iniciativa dele, mas ele devia estar preocupado com a seca desde o início, e não fazer isso como algo dentro da política”.
Mais cedo, em entrevista à rádio O POVO/CBN, o governador foi questionado sobre ações do senador Eunício Oliveira (PMDB), que concorreu ao Governo com ele em 2014, de combate a seca, e ironizou: “É importante a iniciativa dele, mas ele devia estar preocupado com a seca desde o início, e não fazer isso como algo dentro da política”.
Eunício rebateu: “A seca está castigando nosso Estado, metade dos açudes está no volume morto, mas o atual governador parece não enxergar isso e prefere terceirizar responsabilidades ao invés de buscar soluções. Não vou fazer debate político com o sofrimento das pessoas. O trabalho insistente de apoio e combate aos efeitos da seca sempre foi pauta prioritária durante todo o nosso mandato”.
Ele
acrescenta que somente neste segundo semestre, teriam sido triplicados
os repasses mensais federais para obras feitas em convênio e realizadas
pelos Estados da região Nordeste. Os valores passaram, segundo o
senador, de R$ 6 milhões para R$ 10 milhões por mês por Estado.
O POVO procurou o Ministro da Integração Nacional, na noite desta segunda, mas as ligações não foram atendidas.
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