Essa foi uma das muitas loucuras que fiz pelo homem da minha vida, com quem sou feliz há 30 anos
Sim, casar no civil com meu irmão representando meu marido
foi estranho. Mas
mero detalhe no meio da minha história de amor que, de tão maluca, é até difícil
de acreditar! Se eu e o Agápito não estivéssemos aqui, juntos há 30 anos,
ninguém podia imaginar que daria certo. Para ver que não estou exagerando, duas
outras curiosidades desse romance arretado: quando nos casamos, tínhamos
passado só 26 horas juntos; e por 14 anos usei a aliança da ex dele!
Ele tinha marcado casamento com outra quando me
conheceu
Tudo
começou em janeiro de 1986. Eu estava cobrindo as férias de uma secretária em uma
financeira quando o Agápito chegou. Ele
se apresentou e pediu para falar com o gerente. Enquanto esperava, fomos
conversando. Muito simpático, contou que estava ali para resolver uns
pagamentos de móveis, pois estava montando apartamento para se casar. “Que
pena”, pensei. Ele falou com o gerente e, na hora de ir embora, lhe desejei um
feliz casamento. Ao que perguntou: “É isso que você quer?”. Eu, que já tinha o
achado interessante, respondi: “Não é bem o que eu quero, não...”. Ele riu e
saiu. Achei graça e só. Nunca imaginei reencontrá-lo, mas Deus queria que nos
víssemos de novo: contrariando as expectativas, dali a 12 dias, no meio de um
acampamento de Carnaval da igreja, dei de cara com o Agápito! Ele estava com a
noiva, mas veio me perguntar de onde me conhecia e o lembrei do encontro na loja.
Foi uma conversa boba, só que algo despertou em mim. Aquele homem era muito
interessante! Passamos o resto do encontro trocando olhares, até que no último dia
ele pediu para falar comigo. Combinamos um encontro na saída do meu trabalho, na
Quarta-Feira de Cinzas.
Às
17 h em ponto, lá estava ele. Entrei no carro e, quando o Agápito foi mudar a
marcha, notei que não usava mais a aliança de noivado. Claro que perguntei o
que havia acontecido e ele contou que tinha terminado com a noiva. Gente, eu
não sabia se chorava ou ria. O que estava acontecendo?! Sinceramente, eu não
tinha ideia. Resolvi deixar fluir e passei o resto da noite conversando com ele
num parque. Foram horas de um papo muito gostoso e, quando foi me deixar em
casa, ele me deu um adesivinho com a frase “Posso lhe dar um beijinho?”. Que
fofo! Dei um bitoca nele e corri para casa, toda emocionada.
Ficamos noivos dentro do carro, usando a aliança da
ex dele
Almoçamos
juntos no dia seguinte e ele anunciou que estava se mudando para Boa Vista, em Roraima,
pois havia sido transferido pelo banco em que trabalhava. Mesmo assim, prometeu
que voltaria para Fortaleza no sábado seguinte e que passaríamos o fim de
semana inteirinho juntos. Dito e feito:
nos reencontramos no domingo conheci sua família, que foi ótima comigo. Ele conseguiu
uma folga na segunda e fomos almoçar juntos para ele conhecer mamãe e vovô.
Ouvi o Agápito comentando com minha mãe que se casaria comigo e por isso,
quando nos vimos à noite, depois de ele buscar seus pertences na casa da ex,
perguntei pela aliança.
Ele me mostrou e
eu disse: “O que nos impede de ficarmos noivos agora?”. Coloquei a antiga
aliança dele no seu dedo e ele colocou no meu a da ex. Fizemos uma oração e ali
mesmo, no carro, selamos a promessa de nos casar! Na manhã seguinte, depois de
somarmos apenas 26 horas juntos, o Agápito partiu para Boa Vista. Só nos
reencontraríamos no dia do nosso casamento! Para não
esquecer da minha cara, ele levou uma foto 2x2
minha e eu fiquei com
uma um pouquinho maior dele. Por dois meses
e 28 dias, foi tudo o que vimos um do outro. Mas
nos falamos todos os dias.
Meu
salário mínimo ia inteiro em ligações interurbanas para o meu noivo. Ele também
me enviava cartas e telegramas cheios de romantismo e declarações. Estávamos
muito apaixonados e alimentávamos nosso amor à distância. Até que não deu mais
para sustentar isso e decidimos nos casar o quanto antes.
Consegui
uma data e agendei nosso casamento civil para uma sexta e na igreja para o
sábado. Como o Agápito não tinha certeza se conseguiria folga, por garantia,
mandou uma procuração para que meu irmão o representasse no cartório caso não
conseguisse chegar. E não conseguiu mesmo! No dia 9 de maio de 1986, um juiz
selou minha união civil com o Agápito e quem disse o sim para mim foi meu
irmão.
No
dia seguinte, enquanto corria atrás dos preparativos do casamento, esperava
notícias do Agápito, que não confirmou em qual voo chegaria. Fui esperá-lo no
aeroporto, mas havia um problema: foi tanto tempo sem nos ver que eu mal me
lembrava da cara dele! Por isso, levei minha sogra comigo para garantir que eu
não ia confundi-lo! Ele chegou às 16 h. Eu até o reconheci, mas, quando ele
chegou perto de mim, perguntou: “Jucimara,
é tu?”. Eu estava tão bronzeada que meu noivo quase não me reconheceu. Respondi:
“Sou, sim, e trate de trocar a aliança de mão que desde ontem você já é casado
comigo!”.
Depois
disso, foi uma correria só, pois o casamento aconteceria em duas horas! No fim,
deu tudo certo: nos casamos, fizemos e sessão de fotos, nos trocamos e fomos
para o hotel ter a aguardada lua de mel. Logo
que chegamos ao quarto, o Agápito foi tomar banho e eu me sentei na varanda, chorando.
Naquela hora, confesso, me bateu um medo: o que eu estava fazendo naquele quarto
com um homem que mal conhecia? O
que ia fazer quando me deitasse com ele? Bem,
ele saiu do banho e eu fui me lavar, toda nervosa com a minha frasqueirinha. Enrolei
bastante no banho e quando saí, pronta para encarar o que viesse, que surpresa:
o Agápito estava dormindo! Ô alívio danado! Me deitei ao seu lado, bem
devagarzinho,e peguei no sono também!
Depois de um medinho inicial, nossa lua de mel foi
uma delícia!
Como
eu já desconfiava, meu amor foi um cavalheiro comigo! No dia seguinte, pudemos conversar,
começar a nos conhecer e nos entender. Sem pressa nenhuma, pois algo dentro de
nós já dizia que tínhamos a vida toda pela frente juntos! O resto da lua de mel
foi uma delícia e depois de quatro dias partimos para Boa Vista para vivermos
juntos. Enfrentamos muitas dificuldades, fomos nos conhecendo e construindo
nosso amor. E, para minha sorte, aquele homem com quem me casei praticamente
sem conhecer era tão doce no dia a dia quanto nos seus telefonemas. Eu me sentia
uma rainha ao seu lado!
Tivemos
três filhos e estamos juntos até hoje! Quando fizemos 14 anos de casados, o Agápito
me deu uma nova aliança. No nosso 21º aniversário, me levou ao mesmo quarto do
mesmo hotel onde passamos nossa lua de mel. Comemoramos as bodas de prata e já sonhamos
com as bodas de ouro para daqui a 20 anos! Somos cúmplices na vida e eu não poderia
viver sem esse homem!
Jucimara Gurgel, 51 anos, Jornalista, Fortaleza, CE
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