Dilma está convicta de "que realmente está em curso um verdadeiro golpe de Estado no Brasil" (Foto: André Dusek/ AE)
A presidente afastada Dilma Rousseff reafirmou, em manifestação
enviada ao Supremo Tribunal Federal, que considera o processo de
impeachment um golpe. A petista foi alvo de interpelação feita por
deputados que afirmavam que a tese era uma ofensa ao Congresso.
Dilma, porém, não respondeu de maneira direta às seis perguntas
feitas pelos deputados. O principal questionamento era quem seriam os
responsáveis pelo golpe. Após a manifestação, os parlamentares podem
ingressar com uma ação contra ela, como, por exemplo, de crime contra a
honra.
Na peça, de 42 páginas, o ex-advogado-geral da União José Eduardo
Cardozo sustenta que as gravações que vieram a público do ex-presidente
da Transpetro Sérgio Machado com integrantes da cúpula do PMDB mostram
que "a verdadeira razão" do impeachment foi colocar um fim à Operação
Lava Jato, já que Dilma teria "permitido que as investigações contra a
corrupção no país avançassem de forma autônoma e republicana".
A manifestação diz ainda que os apoiadores do governo do presidente
em exercício Michel Temer têm receio de serem tachados de golpistas e
buscam o reconhecimento de que o impeachment foi "realizado dentro da
lei e da Constituição, mesmo que não tenha sido". "Querem sustentar,
mesmo contra as evidências, que os crimes de responsabilidade apontados
contra a Sra. Presidenta da República efetivamente ocorreram. Querem
dizer que o atual governo é 'legítimo', apesar de não ter nascido das
urnas", diz.
Cardozo também sustenta que a petista apenas expressou a sua opinião e
usou o direito garantido na Constituição de "livre manifestação do
pensamento" ao dizer que impeachment é golpe.
O ministro disse ainda que, apesar de a ministra do STF Rosa Weber
ter dado a opção de Dilma não responder à interpelação, a presidente
afastada tem um passado de luta contra as injustiças e está convicta de
"que realmente está em curso um verdadeiro golpe de Estado no Brasil".
"Silenciar diante desta interpelação, seria negar uma vida e
submeter-se a uma tentativa de intimidação. Uma vida que resistiu à
prisão e às torturas impostas durante o período da ditadura militar, sem
abdicar das suas crenças. Uma vida, de quem se orgulha de ser mulher e
de não se curvar diante de ameaças, de intimidações ou de arbítrios,
venham de onde vierem", diz a manifestação. (AE)
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