O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) decidiu nesta
quarta-feira (1º) aceitar as denúncias contra Camila Ramos de Oliveira e
Silva, filha do ex-ministro José Dirceu, e Daniella Leopoldo e Silva
Facchini, arquiteta responsável pela reforma da casa dele. O Ministério
Público Federal (MPF) recorreu ao tribunal após as denúncias serem
rejeitadas pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba.
Daniella é acusada de lavagem de dinheiro por dissimular e ocultar a
origem, movimentação, disposição e propriedade de quase R$ 2 milhões
provenientes da Engevix e outras empresas envolvidas na Operação Lava
Jato. Os valores teriam sido repassados a ela como contraprestação por
seus serviços na reforma da casa de José Dirceu em Vinhedo (SP).
Camila também é acusada de lavagem de dinheiro por ter tido um imóvel
comprado em seu nome, no valor de R$ 750 mil, com dinheiro resultante
das propinas pagas pelas empresas formadoras do cartel de empresas que
prestavam serviços à Petrobras.
A denúncia foi rejeitada pelo juiz federal Sérgio Moro em fevereiro.
Conforme o magistrado, as denunciadas seriam estranhas ao esquema
criminoso da Petrobras, não tendo agido com dolo. O MPF argumentou que o
dolo deverá ser comprovado no decorrer da instrução processual, sendo a
conduta de ambas suficiente para caracterizar o delito.
As denúncias foram aceitas por maioria pela 8ª Turma. Conforme o
relator, desembargador federal João Pedro Gebran Neto, responsável pelos
processos da Operação Lava Jato no tribunal, "ainda que Camila e
Daniella não tenham qualquer envolvimento com os delitos antecedentes e
com o esquema criminoso envolvendo a Petrobras, tal constatação não é
óbice para os envolvimentos na lavagem dos recursos ilícitos".
Segundo o desembargador, para a condenação das recorridas pelo delito
de lavagem deverá ser averiguado se tinham ciência de que o capital que
ocultaram provinha de tal esquema ou que tinha origem ilícita.
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