Minas Gerais tem dez suspeitas de febre maculosa sendo investigadas

Funed recebeu duas amostras de BH e as demais de outras cidades, mas não revela de onde são os pacientes

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Precaução. Prefeitura anunciou medidas preventivas de combate ao carrapato para a orla da lagoa, mas ainda não foram implementadas

A Fundação Ezequiel Dias (Funed) investiga dez casos suspeitos de febre maculosa em Minas Gerais, e os exames que irão confirmar ou não a doença devem ficar prontos em até sete dias. Duas amostras são de pacientes que estão internados no Hospital Eduardo de Menezes, na capital. As demais são de outras cidades mineiras, mas a Funed não revela quais por ser “informação confidencial”. A fundação ainda analisa cinco amostras de outros Estados, mas também não especifica de onde são os pacientes.

Em 2015, Minas Gerais foi o segundo Estado com o maior número de mortes por febre maculosa no país, atrás de São Paulo, conforme dados do Ministério da Saúde. A pasta informou que os dados ainda são “preliminares” e indicam quatro óbitos em Minas, onde foram registrados 16 casos. Já o Estado de São Paulo teve 89 confirmações da doença, com 54 mortes. As notificações são diferentes das informadas pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), que registrou 18 casos e seis mortes em Minas no ano passado.

O Ministério da Saúde não informou os dados deste ano. Segundo a SES, foram dez notificações em sete cidades em 2016, com quatro mortes: duas em Divinópolis, no Centro-Oeste, uma em Belo Horizonte e uma em Antônio Dias, no Vale do Aço. As vítimas mortas eram do sexo masculino e tinham 2, 10 e 67 anos – a idade do quarto paciente não foi revelada.

O órgão estadual informou que trata apenas de casos confirmados da doença e, por isso, não tem informações sobre as análises que são feitas pela Funed.

As amostras dos dois pacientes internados em Belo Horizonte foram recebidas ontem pela Funed. O prazo para a conclusão dos exames é de sete dias a partir do recebimento. O órgão não informou quando os materiais das outras cidades mineiras chegaram ao laboratório.

Sabará. Um dos pacientes internados em Belo Horizonte, de 35 anos, pode ter contraído a doença na divisa entre a capital e Sabará. Foi também depois de um passeio a um parque na cidade da região metropolitana que uma criança de 9 anos encontrou cinco carrapatos no corpo. A mãe, que pediu para não ser identificada, contou que o passeio foi feito pela escola e que a própria criança contou que vários colegas também voltaram para casa com carrapatos. “Agora, eu vou pensar duas vezes antes de deixar a minha filha ir a passeios ecológicos”, disse a mãe.

Em nota, a Prefeitura de Sabará informou que não há casos da doença na cidade em 2016 e que está “vigilante e fortalecendo a comunicação e orientação sobre a doença à população”.

A Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) informou ontem que os dois pacientes internados no Hospital Eduardo de Menezes estão estáveis e não há previsão de alta para eles.
Cidades

Registros. Além de Divinópolis, Belo Horizonte e Antônio Dias, registraram febre maculosa Tombos, Chiador e Mathias Barbosa (Zona da Mata) e Senador Modestino Gonçalves (Vale do Jequitinhonha).

Pampulha

Orla ainda sem ação de combate

Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) ainda não sabe quando iniciará a limpeza, a capina, a irrigação e o uso de carrapaticida na orla da lagoa da Pampulha para prevenir a febre maculosa. A medida foi anunciada na última sexta-feira após reunião entre representantes do Executivo municipal, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) e do Ministério Público. Na ocasião, ficou definido que o combate ao carrapato-estrela seria a prioridade do município.

Na segunda-feira, a Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores de Belo Horizonte esteve na região e constatou sujeira na orla. O presidente da comissão, vereador Márcio Almeida, disse que pediria esclarecimentos à PBH.

Sem sinalização educativa na orla, muitas pessoas nem sequer sabem como se comportar de maneira preventiva. “Sempre ando por aqui e, como não vi nenhuma placa ou aviso, nem me preocupei”, contou a auxiliar administrativa Tâmara Siqueira, 30. Já o estudante Erick Pereira, 15, disse que, apesar dos avisos da mãe, não vê problema em frequentar a região. “Meus pais ficam com medo e pedem para não vir aqui, mas acho que está tranquilo. Eu uso repelente também, mas, quando vejo alguma capivara, fico longe”, afirmou.

Segundo especialistas, nem o repelente, nem outros cremes são eficazes contra o carrapato. De acordo com a prefeitura, o ideal é usar tênis e meias compridas, além de roupas claras para facilitar a identificação do parasita, e inspecionar o corpo de duas em duas horas. (APP e Letícia Fontes/Especial para O TEMPO)
Saiba mais

Coleta.Amanhã e sexta-feira a Prefeitura de Belo Horizonte vai fazer a coleta de carrapatos no Parque Ecológico da Pampulha. Depois, eles serão enviados para análise.

Escoteiros. A PBH vai iniciar o monitoramento sem agendar a visita dos escoteiros ao parque. Eles iriam apontar os locais por onde o grupo passou com o garoto Thales Martins Cruz, que faleceu vítima da doença no início deste mês.

Risco. O mês de outubro, quando há mais ninfas (filhotes), é o de maior incidência da febre maculosa no país, de acordo com o Ministério da Saúde.

Comunicação. A notificação dos casos da doença é obrigatória para as três esferas de governo (municipal, estadual e federal) e deve ser feita em até 24 horas.

Nova reunião conjunta está prevista para hoje na capital

Hoje, o grupo de trabalho formado por representantes da PBH, do Ibama e do Ministério Público terá mais uma reunião para traçar estratégias para reduzir os riscos de contaminação por febre maculosa em Belo Horizonte.

Na primeira reunião, há quase uma semana, ficou decidido que haveria ações de curto, médio e longo prazo. As de curto prazo, que seriam as destinadas a combater o carrapato, ainda não estão em prática na orla da lagoa.

Em médio e longo prazo, a intenção é encontrar uma solução para as capivaras, que são hospedeiras do carrapato-estrela, que transmite a doença. A PBH deve contratar um plano de manejo para decidir o futuro dos animais, que, enquanto isso, continuarão soltos. (APP)

 Ana Paula Pedrosa
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Sobre jaguarverdade

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