Em entrevista para o programa 'Roda Viva', o senador cassado e delator da Lava Jato afirmou também que o PMDB teve 'posição proeminente' no esquema do petrolão
Um
dos principais delatores da Operação Lava Jato, o senador cassado
Delcídio do Amaral (sem-partido-MS) afirmou nesta segunda-feira que o PT
tornou "sistêmica" a corrupção na Petrobras e que o PMDB teve papel
"proeminente" no petrolão. O ex-líder do governo, que teve o mandato
cassado por quebra de decoro na última terça-feira, fez as declarações
no programa Roda Viva, da TV Cultura.
Segundo Delcídio, já havia corrupção em estatais em governos
anteriores ao PT, mas com a chegada da legenda ao poder "começou a haver
uma espécie de atuação sistêmica nas diretorias e atuação partidária
muito mais ampla, concatenada, com participação das principais
lideranças partidárias que compunham a base do governo Lula e Dilma. Deu
no que deu".
A respeito do PMDB, Delcídio disse que o partido teve uma "posição
proeminente" nos desvios em estatais. O senador cassado afirmou que a
participação de caciques peemedebistas no esquema "vai aparecer
nitidamente" nas investigações da Lava Jato e citou o presidente do
Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) - a quem chamou de "cangaceiro" -, o
senador licenciado e agora ministro do Planejamento Romero Jucá
(PMDB-RR) e o senador Edison Lobão (PMDB-MA).
Em relação ao presidente interino Michel Temer, Delcídio declarou que
não pode "botar a mão no fogo" por ele. Questionado sobre a indicação
de Jorge Zelada para diretoria Internacional da Petrobras, atribuída em
delações premiadas a Temer, Delcídio pontuou, contudo, que não sabe se o
peemedebista tinha ciência dos desvios de Zelada no cargo. "Quando você
indica alguém para o governo, não quer dizer que indicou alguém para
roubar. Às vezes, você indica alguém que tropeça, lamentavelmente isso
acontece nos governos", ponderou.
Lula e Dilma - Questionado se corroborava a
afirmação de que Lula e Dilma sabiam do esquema de corrupção, Delcídio
repetiu que sim. Para o ex-senador, a argumentação de que Lula não sabia
dos desvios ou que Dilma recebeu um parecer "falho" para decidir sobre o
investimento na refinaria de Pasadena é assumir que as pessoas são
"idiotas". "Tenha paciência, é achar que todo mundo é ignorante, idiota.
A Petrobras sempre foi do presidente."
(Com Estadão Conteúdo)
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