Ex-médico Farah Jorge Farah andava vestido de mulher antes de morrer, dizem vizinhos

Segundo delegado, ele havia injetado silicone no peito e nas nádegas 'recentemente'. Ex-médico se matou antes de a polícia cumprir mandado de prisão.

Por Tahiane Stochero, G1 SP
Ex-médico Farah Jorge Farah é encontrado no morto

Vizinhos do ex-médico Farah Jorge Farah, que foi encontrado morto nesta sexta-feira (22) em sua casa, na Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo, dizem que, nos últimos meses, ele havia adotado um comportamento estranho e usa roupas de mulher.

Condenado a 14 anos e oito meses de cadeia por matar e esquartejar uma paciente em 2003, ele deveria ser levado de volta à prisão após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinar, na quinta, a imediata execução provisória de sua pena. Ele, porém, cometeu suicídio quando os policiais chegaram para prendê-lo.

Segundo o delegado Osvaldo Nico Gonçalves, Farah havia colocado silocone nos seios e nas nádegas. "O legista disse que ele se injetou silicone nos seios e na bunda, isso foi recentemente, mas não sei quando", disse.

Quatro vizinhos ouvidos pelo G1 relatam que Farah usava regatas e sutiãs femininos para sair às ruas e jogava seu lixo em sacolas plásticas de lixeiras de casas próximas.
Farah Jorge Farah entra em sua casa (Foto: Reprodução/GloboNews)

A professora de inglês Sônia Cristina é a vizinha lateral direito da casa dele e conversava sempre com o ex-médico. Ela disse que o vizinho usava roupas de mulheres, blusas regatas e usava sutiã com enchimento. "Ele parecia estar se aplicando silicone", disse Sônia, que sempre conversava com Farah.

Sobre a morte do ex-médico, disse: "É muito ruim, um fato muito mal. Sou muito emotiva, vou ter que rezar muito porque fica uma energia ruim", disse.
Vizinha que mora ao lado diz que Farah usava roupas de mulheres (Foto: Tahiane Stochero/G1)

Já o advogado Luiz Gatorre, que mora em um prédio na diagonal da casa, diz que o único contato próximo que teve com Farah foi há dois meses, quando o ex-médico "fez uma gentileza" e lhe ajudou a descer do ônibus. "Eu estava descendo do ônibus e porque tenho diabetes, tenho que me segurar bem. Ele me deu a mão e agradeci", disse o advogado.

"Eu sempre passava por ele na rua e virava o rosto, fazia de conta que estava procurando algo do outro lado da rua, para não ter que cumprimentá-lo. Ele andava estranho, usava regata de mulher, com seios, roupa de mulher", diz o vizinho.

Parentes estiveram na casa de Farah recolhendo pertences, mas não falaram com a imprensa (Foto: Tahiane Stochero/G1)

Delegado fala sobre a morte do ex-médico Farah Jorge Farah

Encontro do corpo

Um chaveiro foi chamado para abrir a porta da casa do ex-médico quando a ordem de prisão chegou para o delegado Nico. Ao entrarem, os policiais encontraram Farah deitado na cama, com um corte profundo na perna. Uma equipe médica tentou socorrê-lo, mas ele já havia morrido.

O delegado acredita que Farah usou um bisturi para se matar. Segundo o policial, ele criou um "ritual" para morrer. "Ele colocou uma música sinistra, uma música de terror, coisa estranha, fúnebre. Ele se vestiu com roupas de mulheres, colocou seio, colocou essas coisas, e atentou contra a própria vida. " O corpo do ex-médico foi levado ao Instituto Médico-Legal central.

Na madrugada desta sexta, Farah foi visto entrando em sua casa com uma sacola com pães em uma das mãos e uma bengala na outra.

Parentes de Farah estiveram na casa dele recolhendo pertences após a morte. Um chaveiro foi chamado para colocar novas fechaduras nos portões e na porta.
Jorge Farah em imagem de 2014 (Foto: GloboNews)

Farah foi condenado em 2014 a uma pena de reclusão em regime fechado pelo assassinato e esquartejamento de Maria do Carmo Alves, que era sua paciente e amante. Apesar disso, uma decisão de 2007 do Supremo Tribunal Federal (STF) permitiu que ele recorresse em liberdade.

Em agosto, o relator do caso, ministro Nefi Cordeiro, já havia atendido a um pedido do Ministério Público (MP) de São Paulo e votado pela imediata prisão do ex-médico.

No entanto, houve um pedido de vista do ministro Sebastião Reis Júnior, que levou a conclusão do julgamento para esta quinta-feira. Sebastião decidiu acompanhar o voto de Nefi Cordeiro. O STJ também negou recurso da defesa de Jorge Farah que pedia anulação do último júri.

O crime

Farah matou e esquartejou a paciente e amente em 23 de janeiro de 2003 na clínica dele, em Santana, na Zona Norte da capital paulista. A vítima tinha 46 anos quando foi atraída para o local e morta pelo então médico, que queria pôr fim à relação conturbada que tinha com a vítima.

De acordo com a denúncia da Promotoria, Farah matou Maria após ela ir a seu consultório com a falsa promessa de que a submeteria a uma lipoaspiração. Em seguida, ele dispensou sua secretária e sedou a vítima.

Segundo o MP, após constatar a morte dela, Farah passou a esquartejar o corpo para dificultar a identificação. Ele colocou as partes do corpo em sacos plástico e escondeu no porta-malas de seu carro. Os órgãos e o pescoço da vítima nunca foram encontrados pela Polícia Civil.
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Sobre Manoel Martins

Sou Casado, pai de 3 filhos, apaixonado pela minha família e pela minha querida cidade Jaguaruana... Jaguaruana Verdade, Porque Mentira tem Pernas Curtas!

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